Carla Peairo


Aller au contenu

Biografia

Português


Exodo
mixta sobre tela, 1995



Deambulando
mista sobre tela , 1996



Gênesis
acrilico sobre tela, 2002



Batuque,
aguarela, 1998



O Passaro
aguarela, 1998



Liberdade
aguarela, 1998



O Beijo
aguarela, 1998



Portadoras de Sonhos
acrilico sobre tela, 2002

Carla Peairo nasceu em Angola-Benguela, cidade das acácias rubras em 1961.
Viveu uma grande parte da sua infância à beira-mar: Praia-Morena, Baía-Farta, Chamume, Macaca.
O seu interesse pelo desenho e pintura começou quando tinha 13-14 anos e até hoje a sua paixão em transmitir África pela sua paleta de cores quentes, levaram-na a realizar mais de quarenta exposições.
Formação artística de desenho, pintura e decoração na Escola Industrial de Benguela e frequentou o Instituto Superior de Ciências da Educação, na cidade de Lubango.
Foi membro da Brigada Jovem de Literatura da Huíla e participou com o Trio Mensagem em vários espectáculos musicais apresentados no cinema Arco-Iris e no ISCED.
Adquiriu experiência profissional como decoradora, assistente social, professora de inglês e de desenho no ensino secundário.

Em 1983 parte para Lisboa onde exerce em desenho publicitário, criação e confecção de modelos na indústria têxtil.
Admitida no Centro de Arte e Comunicação Visual - ARCO em Lisboa, frequenta os ateliers de desenho , artes gráficas, modelagem assim que o atelier de pintura da Sociedade Nacional de Belas Artes.

Actualmente vive em Neuchâtel - Suíça e continua a dar asas à sua imaginação.
As suas obras estão representadas em várias colecções privadas e públicas internacionais: Angola, Senegal, Portugal, Brasil, Suíça, Dinamarca, Noruega, Inglaterra, Alemanha, Nova-York.

É membro da UNAP e da ArtAfriksuisse, sociedade dos artistas africanos na Suíça.

As sua obras orientam-se essencialmente para uma temática de expressão africana representando aspectos da vida dos africanos: a fecundidade e a continuidade, como símbolos atribuídos ao universo feminino, os momentos de lazer e de reflexão sobre a vida, os rituais...
Ela concilia e integra na sua criação o real e o imaginário, a mitologia negra, o seu fantástico et poesia assim que as disposições inerentes à sua condição de mulher-pintora africana.
O seu desejo e esperança são que as suas obras transmitam o amor da vida, a solidariedade humana, a coesão.

O Universo de Carla

Para além do mito da criação onde se entrelaçam realidades, dissonâncias da guerra, crenças ancestrais e imagens de infância a pintura de Carla Peairo, como a define António de Maues Colaço
(1), é uma fulgurância de tonalidades luminosas do Sul de Angola...que nos extasiam com suaves e mornas cintilações...é uma dialéctica cromática harmoniosa e por vezes conflitiva através de um jogo interior de lembranças e de raízes deste ambiente mágico que nous seduz e nous liga aos trópicos.

Não nos atardemos no tropismo das cores mas consideremos o conjunto da sua obra como uma busca essencial do seu argumento na sociedade angolana e no fundamento da sua personalidade.

" Nas telas de Carla Peairo, conta-se a história do povo angolano que desde há várias décadas convive diáriamente com a fome, a doença, a morte…elas contam a história de um povo martirizado pela guerra mas mesmo assim cheio de alegria e de esperança. As suas telas contam esta história mas também a história de um povo que apesar de tudo ainda possui uma alma "naïf" onde a música dos tambores ecoando na natureza se transforma em rituais entrecruzados de sagrado e de profano em perfeita harmonia…e as lânguidas tardes soalheiras recontadas na paisagem africana reflectem-se nas cores e nos personagens sensuais, ondulantes, misteriosos, maternais "
(2) .

Há uma dicotomia factual na sua maneira de pintar, que tem a ver com a sua situação de imigrante e com a do seu país de origem. Aqui o simbolismo do espelho é perfeitamente operante.
Ela dá-nos assim a ver através das suas obras, os efeitos nefastos da guerra, onde os contrastes lembram especialmente a grisalha de um estado de aflição como nenhum outro com a sua coorte de indigência:
Êxodo (mista s / tela, 1995), Deambulando (mista s/tela 1996). Em seguida, o renascimento simbólico da sua paixão para o jogo misto de imagens (papel machê, tecidos, pérolas para acentuar o relevo e a pintura) exaltando a Gênesis, testemunhas liminares da sua produção. Telas em acrílico em tons bistres onde as cores se sobrepõem alegremente. Tons contrastados e sublinhados de preto e branco que realçam o surrealismo das formas.
Aguarelista que vê o mundo em transparência:
Batuque (aguarela,1998), que soa ao ajuntamento; O Pássaro (aguarela,1998), músico multi-instrumentista, Liberdade (aguarela, 1998), simbolismo da denúncia do estado de guerra em Angola e extravagância de uma liberdade encontrada para além de tudo, projeção de um desejo incontido de ver a paz e a reconciliação, chegaram à terra de Angola. É também o amor que nunca deixou os corações angolanos - como os dos seres humanos de todos os horizontes: O Beijo (aguarela,1998).
Terá ela integrado o clã das
Portadoras de Sonhos? (acrílico s / tela, 2002).
A sua maneira de dar a conhecer a pintura desta parte de África assim o supõe.
Especialmente através das diversas exposições ao longo das quais ela transmite-nos o seu desejo de reconciliar os homens em sua grande maioria.

"As telas que pinta são um hino às suas raízes. Com os pincéis imprime as histórias da vida quotidiana de África: a terra quente, doce, trágica, sensual e mártir ao mesmo tempo. As ambiências cromáticas são autênticas porque o sonho e as atmosferas de "bleus" que as obras denunciam, só alguém com os sentidos bem despertos, com vivências profundas, e interiorizadas conseguiria criar tal turbilhão de formas e luminosidades Carla Peairo expõe, publicamente, nos seus quadros, o espírito africano, os matizes da sua paisagem, os anseios de um Povo...dona de uma força de vontade inquebrantável, de vivências matizadas de tradições, formas e cores, irá continuar a espalhar magia"
.(3)




1- Professeur de culture portugaise, Zanzibar, Tanzanie, 1985
2- Piedade Coelho, journaliste rdp, juin 2002
3- Mafalda Oleiro, Genève, septembre 2002



Copyright © Carla Peairo 2009

Retourner au contenu | Retourner au menu